Craques do Passado

BELFARE GIOVANELLI

Não nasceu na nossa Capela, mas, pela sua passagem respeitosa por Antonina, merece figurar nesse albúm de Craques.

Nasceu em 26/07/1926 em São José dos Campos/SP e quando parou com o futebol profissional veio residir em Antonina, no ano de 1961, onde exercia as funções de Investigador da Polícia Civil, permanecendo até os seus últimos dias de vida.

Em Antonina uniu-se a uma prendada companheira. Jogou ainda na A.A. 29 de Maio e foi treinador em seguida do próprio 29 de Maio até 1970. Quando adoeceu, foi para o Hospital São Carlos, no Bairro do Guabirotuba, em Curitiba. Muito debilitado disse ao padre os seus últimos desejos: “Quero se sepultado em Antonina, terra muito querida e que me acolheu como um seu filho importante” e também pretendo que cubram meu féretro com a bandeira rubro-negra do meu estimado Atlético Paranaense”.

Ao falecer, foi removido para Antonina, como norteou sua recomendação. Foi velado no Santuário de São Benedito, a Igreja dos Escravos. Muitas pessoas entristecidas do mundo do futebol capelista ali estavam presentes, inclusive o ardoroso antoninense rubro-negro Humberto Cúrcio que fez uma saudação melancólica em nome da cidade e do Atlético Paranaense. Ao final, ao saber da segunda recomendação por intermédio dos funcionários da funerária de que deveriam providenciar uma bandeira do Atlético Paranaense para ornamentar o esquife.

Humberto se prontificou e percorreu algumas residências na cidade com a finalidade de conseguir um pavilhão condigno, achando algumas bandeiras de tamanho pequeno e sem a ostentação convincente. Como não foi do seu agrado, resolveu acionar o motor de seu carro e se dirigiu até Curitiba na sede do Atlético Paranaense e trouxe a garborosa bandeira, inclusive, um Diretor do clube.

Essa história foi contada pelo próprio Humberto, quando o visitamos alguns meses após os fatos em sua residência, à Rua Dr. Carlos Gomes da Costa, defronte ao Theatro Municipal (casa do pé de abricó), juntamente com o Diretor de Patrimônio Histórico do Atlético, o professor Heriberto Ivan Machado, que ouviu atentamente e ficou muito comovido.

Belfare iniciou sua carreira esportiva na Lençoense de Lençõis Paulista. A convite do Corinthians foi para o Parque São Jorge no ano de 1947, ali permaneceu até 1952 (6 anos). Participou de 100 jogos, obtendo 53 vitórias, 26 empates e 21 derrotas. Como defensor fez apenas dois gols. Um a favor e um contra. O gol a favor foi contra o XV de Piracicaba, no Campeonato Paulista, aos 44 minutos do segundo tempo, no empate de 2×2.

Foi companheiro no Corinthians de dois antoninenses, Bino e Jackson. Seu último jogo no Corinthians foi no dia 09/07/1952, contra a Portuguesa de Desportos (empate em 3×3). Em seguida veio para o Atlético Paranaense no ano de 1953, junto com Damião e Jackson, tendo o Atlético investido Cr$ 20.000,00 (vinte mil cruzeiros) em sua liberação junto ao time paulista.

CAMPEÃO DO RIO-SÃO PAULO 1950
Em pé: Luizinho, Nelsinho, Belfare, Hélio, Idário, Baltazar, Touguinha e Nilton.
Agachados: Noronha, Cláudio e Bino.

No Atlético, Belfare jogou até 1960. Como disse o radialista Carneiro Neto: ” Jogou dedicado e bom de bola, eficiente, ágil e raçudo. Foi um lateral dinâmico e que defendeu por 8 anos a camisa rubro-negra”. No livo Almanaque do Corinthians está escrito: Sua jogada característica era afastar a bola jogando o corpo para trás, no ara, como quem dá uma meia bicicleta.

1955

Em pé: Silas, Cesquim, Betine, Ubirajara, Damião e Belfare.
Agachados: Isabelino, Sano, Lobato, Jackson e Boluca.

Campeão pelo Corinthians Paulista, no ano de 1951;

Campeão pelo Atlético Paranaense no ano de 1958;

Campeão pela A.A. 29 de Maio no ano de 1965.

Fonte: ANTONINA E O ATLÉTICO – CLAUS LUIZ BERG

Revista Futebolística Ilustrada dos craques antoninenses que envergaram a camisa do Clube Atlético Paranaense – 2009

Ilustração: ARQUIVO DE FOTOS DA A.A. 29 DE MAIO

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3 responses to this post.

  1. Posted by Ronaldo Melloni Giovanelli on março 31, 2011 at 10:23 pm

    Srs, fico muito agradecido por ver uma reportagem sobre meu tio com quem convivi pouquíssimas vezes. Sei muito pouco dele e agora já tenho mais alguma informação.
    Ele era parte de uma família de muitos jogadores de futebol no Vale do Paraíba, especificamente do subdistrito de Taubaté que tem o nome de Quiririm, lugar de passagem para quem vai a Campos de Jordão no estado de São Paulo.
    Obrigado

    Responder

    • Posted by fabiomigueltavares on abril 1, 2011 at 10:53 pm

      Olha Ronaldo, fico muito feliz que este site tenha lhe dado essa possibilidade de conhecer um pouco mais sobre o grande Belfare. Aqui na cidade de Antonina, litoral do Paraná, ele deixou não somente amigos, mas o seu nome marcado na história do tradicional futebol Antoninense, reconhecido durante muito tempo, por grandes jogadores que formou para os grandes times do Estado do Paraná e também do Brasil.
      Grande abraço e seja sempre muito bem vindo.

      Responder

  2. Posted by Celso Dario Unzelte on março 15, 2015 at 4:56 pm

    Senhores, meu nome é Celso Unzelte, sou jornalista e autor do Almanaque do Timão. Os senhores poderiam precisar a data de morte de Belfare? Se puderem, por favor me informem através do e-mail celsounz@uol.com.br.
    Grato.

    Responder

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